Tudo muda.

Eu não me via como mãe, embora não descartasse a possibilidade nunca. A vontade veio quando casei, e só quando a gente casa conhece melhor o marido, né? E um dia, numa conversa no meio da janta, ele disse que queria esperar um pouco até se sentir "um pouco mais preparado", mas que ser pai era uma de suas prioridades.

Mudei de cor umas dez vezes. Claro que a gente falou sobre filhos antes de casar, fizemos o pré nupcial completo. Mas ele nunca havia sido tão direto. Isso abriu um espaço no meu coração, imediatamente inundado de cumplicidade e respeito por ele.

No fim do ano passado, terminadas as eleições, acho que no primeiro fim de semana que voltei pra casa (pra quem não sabia, trabalhava no eleitoral do sertão de PE), tocamos no assunto. Quando decidimos que em um mês pararíamos o anticoncepcional para verificar meus ovários, útero, etc, enfim, ver se tudo estava bem para iniciar as tentativas, rimos chorando. E 60 dias depois, antes do que imaginamos, já estávamos à espera desse anjinho!

O amor muda muito as pessoas, e amor de filho especialmente. Eu tô de cara o quanto amadurecemos nesses últimos 5 meses! Esses dias me vi dizendo pra minha mãe, que viajará pro Rio nesse fim de semana e me perguntou se eu queria alguma coisa delá:
"Pra mim nada. Traga o que encontrar bacana pra Aron".

É, é a vida e suas curiosas tranformações.

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